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Teoria do Consumo de Vodka

Sou um grande fâ de vodka. E sempre lutei para criar o hábito de consumir vodka na praia mas nunca tive sucesso. As pessoas insistem em beber apenas cerveja na praia. Este hábito foi criado por causa das campanhas publicitárias: as cervejarias sempre focam seus anúncios em praia, enquanto a indústria de vodka se restringe a boates.

Os benefícios que vejo para consumo de vodka na praia são:

Refrigeração – o sistema de refrigeração na praia é precário, à base de isopor com gelo, enquanto que numa boate existem freezers. E para gelar cerveja requer um bom sistema de refrigeração enquanto que vodka basta colocar gelo.

Logística – a logística de abastecimento é complicada para o comerciante de cerveja na praia pois todo dia ele tem carregar várias grades pesadas de cerveja. E ao final do dia, ainda tem a logística reversa de recolher os cascos e trazer de volta. Se vendesse apenas vodka, poderia carregar nos próprios braços uma caixa com algumas garrafas e seria suficiente. E não haveria a logística reversa.

Atendimento – para beber cerveja é necessária uma boa estrutura de atendimento para que seja sempre feita a reposição rápida nas mesas, enquanto vodka basta deixar uma garrafa na mesa e só repor depois de um bom tempo. E na praia é muito mais complicado montar uma boa estrutura de atendimento do que numa boate.

Higiene – a cerveja gera uma constante necessidade de fazer xixi, muito mais do que a vodka. E a praia não oferece uma infra-estrutura de sanitários adequada, como há nas boates.

Economia – para o consumidor, no final das contas, é mais barato beber algumas doses de vodka do que várias garrafas de cerveja.

Para reverter isso, é necessário que a indústria de vodka mude o foco de suas ações publicitárias. Campeonato de beach soccer com patrocínio da Orloof. Vôlei de praia by Smirnoff. Imaginem uma propaganda com loiras de biquíni, jogando frescobol na praia e erguendo uma Caipiroska. Só assim o brasileiro mudaria o seu hábito de consumo.

Teoria dos Livros Mais Vendidos

Acho interessante a forma como essas revistas semanais, como Veja e Época, classificam os livros. São basicamente três categorias:

1) essas pessoas aqui estão mentindo (ficção)
2) essas pessoas aqui estão tentando dizer a verdade (não-ficção)
3) essas pessoas aqui estão querendo te enganar (auto-ajuda)

Inclusive, acho que esse termo Auto-Ajuda realmente é muito bem atribuído. Afinal, esses tipos de livros vendem muito bem e “auto-ajudam‿ o autor.

A minha dúvida é se aqueles livros estão naquela lista de mais vendidos das revistas porque realmente vendem muito ou se eles vendem muito porque estão naquela lista.

Porque sem dúvida, a melhor forma de vender um livro é dizer que ele é um best-seller. A própria tradução já diz: best-seller é o “melhor vendedor‿

Kamikaze

Essa semana eu vi na televisão uma entrevista com um piloto kamikaze (Wikipédia) remanescente da 2ª Guerra Mundial. A matéria foi muito bem feita e interessante. Só não entendi uma coisa: se ele é um piloto suicida, como ele pode estar vivo? Pelo jeito, ele não era um dos melhores.

Já ouvi muita gente perguntando porque esses pilotos usavam capacete - já que eles vão se suicidar - mas nunca obtive uma resposta satisfatória.

Será que é pelo mesmo motivo que as injeções letais são esterilizadas antes de serem aplicadas aos condenados à morte?

Ou será que eles pretendiam pular antes do avião explodir, e sobreviver, mas nunca obtiveram sucesso?

Bem… não sei a resposta. Mas sei que realmente essa profissão de piloto kamikaze é uma das mais injustas. Porque acho que é a única profissão em que você só pode ter uma segunda chance, se você fracassar.

Outubro, 2006

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