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Criança Esperança

Fiquei surpreso ao ver essa semana o início da campanha do Criança Esperança. Não parece que foi há poucos meses que acabou o último Criança Esperança? E já está começando outro?

Quantos “Crianças Esperança” a Globo promove por ano? Pelo jeito deve ser uma ótima fonte de receita para a emissora. Não que eu esteja insinuando que as doações para o Criança Esperança não sejam repassadas para os projetos beneficentes. O que estou sugerindo é que provavelmente as receitas de apenas 1 dos programas do ano é que sejam repassadas.

A lógica é a seguinte: quando a Diretoria Comercial não está conseguindo atingir suas metas de vendas de publicidade, eles acionam a Diretoria de Doações, comandada por Renato ‘Didi’ Aragão, que em poucas semanas organiza um Criança Esperança.

Das duas, uma: ou realmente a Globo promove vários “Crianças Esperança” por ano ou então estão encurtando a novela das oito e o nosso ano está acabando mais rápido.

Teoria da Lixeira Pós-Moderna

Estou mudando de apartamento. Mais precisamente estou naquela fase de comprar os últimos detalhes e organizar o novo lar.

Resolvi então ir numa loja de decoração - daquelas bem chiques - para selecionar alguns itens. Revirei a loja por mais de 1 hora e não encontrei nada que me agradasse. Exceto uma lixeira.

Uma lixeira linda. Fashion, arrojada e, ao mesmo tempo, elegante. Apesar do preço salgado, não hesitei em comprá-la.

No mesmo dia, fui instalar a lixeira no meu novo quarto. Sentei na cadeira, abri um iogurte de morango e fiquei apreciando a minha mais nova aquisição.

No meio deste momento de puro êxtase, deparei-me com uma grande indagação: será que eu devo colocar o papel do iorgute na minha nova lixeira?

Porque ela é uma lixeira diferenciada. Não posso depositar qualquer tipo de lixo. E é uma lixeira cujo design não comporta aqueles sacos plásticos internos. Resolvi então deixar o papel do iogurte na mesa e depois coloquei na lixeira da cozinha.

Daí em diante tive que tomar algumas decisões importantes. Era necessário definir quais tipo de lixos eu iria colocar na minha lixeira. E quais seriam os critérios para determinar se um lixo merecia ou não ir para minha lixeira nova.

Decidi que cada lixo, antes de ser colocado na lixeira, teria que passar por um criterioso processo de seleção. De uma forma geral, só poderiam entrar papéis. E não amassados. Resolvi, inclusive, que seria feita uma análise do conteúdo dos papéis. Afinal, não quero qualquer bobagem escrita na minha lixeira pós-moderna.

Com essa seleção do lixo, surgiu o problema de onde encaminhar os resíduos que não passassem pelo processo de seleção. Fui no mercado da esquina e comprei uma lixeira bem simples e deixei escondida no armário. Portanto, os lixos reprovados vão para o armário. Trancados. No escuro.

É com muito orgulho que eu posso afirmar que a minha nova lixeira é, sem dúvida, um dos locais mais limpos e organizados do meu apartamento.

Copa do Mundo

Apesar dos pesares, gostei da Copa. É, sem dúvida, o melhor evento da vida do homem médio brasileiro. Mas a grande lembrança que eu terei dessa Copa não vai ser a eliminação ridícula do Brasil nem a cabeçada de Zidane. O melhor dessa Copa para mim foi a idéia genial que a Globo teve de fazer leitura labial dos técnicos e jogadores.

Como é que ninguém tinha pensado nisso antes? É muito divertido!

Só fiquei um pouco decepcionado com Parreira. Porque eu achava que aqueles gritos dele à beira do campo eram códigos de esquemas táticos, de jogadas ensaiadas.

- Cafu, jogada 36! Ou virada de jogo 6!
- Adriano, segue o caminho da paca! Tatu!

Mas a leitura labial revelou que ele só faz gritar palavras isoladas:

- Vai!
- Corre!
- Chuta!

Ou ele não ajuda em nada, ou ele realmente criou uns códigos bastante discretos.

Mas acho que a Globo deveria dar continuidade à idéia da leitura labial. A equipe padrão de cobertura a partir de agora deveria ser composta sempre de 1 narrador, 1 comentarista, 1 árbitro e 1 surdo-mudo.

O problema é que se a leitura labial fosse um padrão em todos os jogos, os jogadores e técnicos começariam a pensar duas vezes antes de falar. Ou então iriam vender merchandising nas suas falas:

- Cafu, boa corrida. Esse seu Nike novo é ótimo
- Adriano, vem aqui tomar um Gatorade pra refrescar.

A Globo iria ter que colocar um PIIIII…. toda vez que alguem falasse um nome de uma marca.

Nasceria, então, a censura da leitura labial.

Estacionamento

Eu trabalho num local onde é muito difícil encontrar uma vaga de estacionamento. Todo dia é um sufoco. Normalmente você só consegue uma vaga bem longe do seu escritório e num local onde os pombos ficam despejando sua bazuca anal no carro. Percebo que nos dias de chuva o problema se acentua e as vagas parecem ficar ainda mais distantes.

Mas nesta semana, foi diferente. Encontrei milagrosamente uma vaga bem na frente do meu escritório. E num local à prova de pombos. E logo esta semana que está chovendo todo dia. Era a vaga perfeita, parecia uma miragem.

No final do expediente, deu pena de tirar o carro daquela vaga tão preciosa. Resolvi então deixar o carro lá e voltar pra casa de táxi.

Já estou nessa há três dias, afinal, sei lá quando é que eu vou encontrar uma vaga como essa novamente.Š

Controle Remoto

Todo homem é viciado em controle remoto. Isso é um fato. Mas vocês sabiam que o controle remoto é uma invenção da mulher? É. Porque antes de existir o controle remoto, o cara ficava deitado no sofá, tomando cerveja e gritando.

- Amoôoorr, troca ali o canal.

Imagine o trabalho que dava né? Porque homem tem mania de trocar o canal da televisão. É impressionante.

Mas eu tenho muita pena do controle remoto. Sério, mesmo. Porque se você analisar bem ele é o objeto na sua casa que é mais mal tratado. Vive sendo derrubado no chão, vive levando porrada. Tanto é que toda casa tem pelo menos um controle remoto com um durex atravessado.  E se o controle remoto não está pegando, ninguém pensa em abrir, mexer, tentar consertar. A solução é sempre dar porrada nele.

Todo homem tem mania de tentar ajeitar as coisas. Se derem para um homem uma bomba atomica com defeito, ele vai entrar abrir, ver o que é, analisar. Mas com o controle remoto, não. É na base da porrada. Eu também não sei porque as pessoas pensam que apertar o botão com mais força resolve quando a pilha está fraca. Não faz sentido. A pilha está fraca, troca. Não precisa machucar o controle.

Agora imagine essa situação: você está velho, doente, com uma faixa atravessada em você. E de vez em quando aparece um sujeito que pega você e lhe enche de porrada. Qual seria a sua reação sempre que visse esse cara? Iria se esconder né? ?É por isso que os controles vivem desaparecendo.

Julho, 2006

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